sábado

Uma grande perda.

Odeio o comodismo. A necessidade de mudar é tão grande quanto a necessidade que algumas aves têm de migrar, o problema é que a mudança assusta. É muito confortável continuar com o que está razoável do que tentar melhorar não é? Todo mundo gosta de levar uma vida equilibrada, tranquila, é um aspecto natural do ser humano, o problema é quando isso contagia outras faces da vida, faces que deveriam evoluir com o tempo, não serem nestesiadas, e não é só isso. Você não precisa ir até a banca pra ler o jornal. Você não precisa marcar um encontro para ver um velho amigo. Você estar presente se quiser conversar. O mundo anda cada vez mais frio, cada vez mais as pessoas se trancam dentro de casa, com seu computador, sua tv a cabo e procuram a felicidade ali, a satisfação de ter tudo ao alcance das mãos, sem precisar de ninguém. De quantas pessoas você tem realmente saudade? Delas, quais você se comunica por um meio tecnológico? Algumas relações tem como base a saudade, "o amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer '' não é isso? Só que hoje não mais. E ainda além, com tudo isso, há menos contato com a sociedade propriamente dita, menos olho no olho, menos palavras ditas, menos lágrimas e sorrisos vistos. Há só palavras escritas e sentimentos descritos, ao invés de sentidos. Não é uma aversão a tecnologia, não mesmo, só temos que saber separar as coisas, pra não cair naquele comodismo acima, aquele que senta no sofá e acha que realmente o mundo está ali, enquanto o mundo é lá fora.

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